E se chamarmos cada pequena diferença de voz? Inclusão em xeque: Trajetórias empíricas da voz a partir do modelo social da deficiência
DOI:
https://doi.org/10.14507/epaa.29.5675Palavras-chave:
voz, deficiência, modelo social, inclusão, novos materialismosResumo
Através desta revisão crítica da literatura discutimos os desafios teóricos e éticos que o uso empírico da noção de voz representa para o conhecimento e o desenvolvimento de políticas públicas de inclusão na educação. Para isso, revisamos 31 estudos de pesquisa que, a partir do modelo social de deficiência, focalizam voz como unidade de análise das práticas de inclusão em diferentes contextos educacionais. Descobrimos que voz é definida como sinônimo de discurso e descreve três trajetórias empíricas: aponta barreiras sociais à inclusão, expressa atitudes e crenças, e narra experiências de lidar com o estigma. A partir de nossas descobertas, defendemos a necessidade de produzir conhecimento para inclusão a partir de outra perspectiva onto-epistemológica. Sugerimos que os novos materialismos figurem como aquela outra abordagem que permite questionar as ideias do humano e a diferença disseminada pelo modelo social, dadas suas modernas raízes ontológicas. Nesta direção, redefinimos voz para reconhecer como tal toda diferença mínima expressa por toda materialidade viva e refletimos sobre outros significados para criar um conhecimento que não reproduza respostas parciais e deterministas sobre a diferença e o humano, mas provoque o desenvolvimento de novos discursos, práticas e políticas públicas de inclusão na educação.